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DA ANTIGUIDADE PARA A AVENIDA.

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O casal de estrangeiros contempla do seu camarote, deslumbrado, a profusão de cores, sons e personagens que rasgam a passarela. O som e a alegria são avassaladores, contagiantes. No ar da madrugada abafada, uma energia inédita e inesquecível preenche os poros e as memórias da plateia, dos passistas, do mundo inteiro.

O carnaval é, sem dúvida, o acontecimento popular mais celebrado do Brasil, reconhecido como um dos maiores espetáculos e expressões culturais de uma nação. Atrai japoneses, finlandeses e australianos. Só que o evento, na verdade, não nasceu verde-amarelo. Ele teve sua origem em ritos reais antigos da Babilônia. Os tais ritos tinham como característica inverter os papéis sociais. Por exemplo, o prisioneiro assumia o lugar do soberano durante 24 horas, antes de ser executado. Possivelmente, o hábito de se fantasiar, e até essa história do homem vestir-se de mulher (e vice-versa), vem dessa tradição mesopotâmica.

Também em Roma, durante as Saturnálias de dezembro e as Lupercálias de fevereiro, os escravos assumiam a cadeira dos senhores, e os senhores bancavam os escravos. Foi nessa época que surgiu o termo bacanal, as orgias dedicadas ao deus do vinho, Baco, marcadas pela embriaguez e entrega aos prazeres da carne.

Aliás, diz-se que a Igreja Católica criou a Quaresma justamente para dar uma esfriada nas comemorações pagãs, por volta do século VIII. Nesses tempos medievais, os homens vestiam suas melhores fantasias de mulher, e saíam à noite pelos campos férteis pra fazer baderna, fartando-se de comes, bebes e belas jovens. A ideia da Quaresma era essa, separar bem os dias de excessos do período de severidade religiosa. A palavra carnaval (do latim carnem levare) parece ter vindo daí, pois significa “afastar-se ou despedir-se da carne” – uma alusão ao dias que antecedem o início da Quaresma.

No Renascimento, a festa ganhou um toque de elegância com a commedia dell’arte italiana. Canções acompanhavam o desfile dos carros decorados, os trionfi, em Florença. Foliões percorriam as ruas de Roma e Veneza exibindo capas com capuz negro, chapéus de três pontas e máscaras brancas. Mas e no Brasil, você deve estar se perguntando.

Bem, o carnaval desembarcou por aqui no período colonial. Uma das nossas primeiras manifestações foi o entrudo, importado de Portugal e comemorado pelos escravos. Vieram depois os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. O resto você já sabe. Sambódromos, trios-elétricos, musas, blocos, tudo isso misturado a muitos outros gêneros musicais. São muitas peculiaridades regionais, são milhões de pessoas pulando, cantando e extravasando.

Enfim, todo mundo pronto (ou quase pronto) para colocar em prática um ano que já começou em teoria. Mas só depois das doze horas da quarta-feira de cinzas.

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